• Topologias do tempo: a formação da rede dos correios no Brasil (1796-1829)

Através desta coleção, visa-se a dar maior divulgação às mais recentes pesquisas realizadas entre nós, nos domínios de Clio, bem como, através de cuidadosas traduções, pôr ao alcance de um maior público leitor as mais significativas produções da historiografia mundial. No primeiro caso, já foram publicadas várias teses universitárias, que vinham circulando em edições mimeografadas; no segundo, traduções de autores como Paul Mantoux e Manuel Moreno Fraginals. Entre uns e outros, isto é, entre a historiografia brasileira e a estrangeira, a coleção também procurará divulgar trabalhos de estrangeiros sobre o Brasil, isto é, de "brasilianistas", bem como estudos brasileiros mais abrangentes, que expressem a nossa visão de mundo. Em outras etapas, projetam-se coletâneas de textos para o ensino superior. A metodologia da história deverá ser devidamente contemplada. Como se vê, o projeto é ambicioso, e se destina não apenas aos aprendizes e mestres do ofício de historiador, mas ao público cultivado em geral, que cada vez mais vai sentindo a necessidade e importância dos estudos históricos. Nem poderia ser de outra forma: conhecer o passado é a única maneira de nos libertarmos dele, isto é, destruir os seus mitos.

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Em tempos de instantaneidade das comunicações humanas, controladas por alguns dos mais poderosos grupos empresariais de toda a história do capitalismo, e de reiterados projetos de privatização de empresas públicas estratégicas que funcionam bem sob o comando do Estado, qual é o sentido de se estudar o passado dos correios no Brasil?

Neste livro exemplar, o historiador Thomáz Fortunato demonstra como o tratamento do tema permite iluminar de modo inovador o nascimento do Estado brasileiro. Na virada para o século XIX, em um mundo ainda regido pela lentidão dos meios técnicos pré-industriais, a construção de um sistema coeso de correios na América portuguesa criou novos padrões de comunicação. Desenhado para aprimorar o comando metropolitano de Portugal sobre suas possessões americanas em uma quadra de crise global do colonialismo europeu, tal sistema originou um espaço em rede dentro do qual as distâncias temporais entre os pólos de comunicação foram comprimidas pela imposição de uma nova regularidade de trocas de informação, que seviram, assim, aceleradas.

A ruptura de 1808, com o recentramento do Império dentro da América, produziu um impulso redobrado para a compressão espaço-temporal do sistema de comunicação postal, o que por sua vez se articulou dialeticamente à própria aceleração do tempo histórico revolucionário. Quando se abriu o processo de independência do Brasil, essa rede postal se convertera em vetor de politização do mundo social e, portanto, em uma dos condicionantes do processo que culminaria na fundação do Estado nacional brasileiro.

O mais importante nisso tudo está em como Thomáz Fortunato consegue sua análise. Seu livro apresenta um fino cruzamento entre diferentes campos historiográficos e teóricos, que articula, a cada passo, a materialidade do espaço às suas formas de representação mental, a história conceitual à geografia histórica. De particular relevo é a cartografia inscrita nessas páginas, mobilizada, como deve ser, para a produção de conhecimento histórico do passado.

— Rafael Marquese

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Autor Thomáz Fortunato
Editora EDITORA HUCITEC
Idioma PORTUGUÊS
Encadernação Brochura
Páginas 0
Ano de edição 2026
Número de edição 1

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Topologias do tempo: a formação da rede dos correios no Brasil (1796-1829)