• Por que temos o nome que temos?

A atribuição de nome a uma pessoa tem como principal função estabelecer a relação de pertinência do indivíduo a uma dada coletividade. Isso acontece pela simples razão de o nome próprio ser o primeiro atributo que o ser humano recebe em sociedade, como expressão dos valores culturais nos quais os atribuidores (pais/mães) estão inseridos. A atribuição de um nome constitui-se um processo complexo, pois individualiza o ser e o classifica nas múltiplas ordens sociais que vão organizar sua vida, ou seja, seu nome lhe dá uma individualidade. Se, por exemplo, você se chama Clebson, a partícula final “son”, que vem do germânico, significa “filho de Cleber”, assim como, Edson significa “filho de Ed”. Muitos dos registros de um povo, bem como seus costumes, sua organização social e suas crenças, são elementos que podem ser observados na escolha dos nomes próprios, prática e privilégio que remonta ao início dos tempos. Privilégio se se considera, de uma forma geral, a atribuição do nome como uma prática humana livre; assim, é importante frisar a especificidade de posturas impostas por povos dominadores sobre dominados, a exemplo das situações de escravidão no Brasil, iniciadas no século XVI, através da atribuição de nomes cristãos a povos originários do Brasil e africanos, escravizados. De uma forma ou de outra, cada prenome, ou seja, o primeiro nome atribuído a alguém, traz consigo uma carga ideológica relacionada com os valores esculpidos, por séculos, em dada coletividade. São essas atribuições (impostas ou não), e as razões para que elas aconteçam que abrem espaço e oportunizam uma reflexão sobre a relação de sentido entre o nome e pessoa a quem ele se liga. Como seres sociais, as pessoas nascem em uma determinada sociedade e vivenciam seus valores ao longo do tempo, com os ritos e costumes do seu povo e, assim, vão moldando suas vidas e as formas de pensar. Os pais, por exemplo, atribuem nomes a seus filhos, e, naturalmente, esses nomes refletem os valores culturais apreendidos no seu seio social, considerando aquele momento histórico. Considerando o nome próprio como uma necessidade elementar de identificação do indivíduo no seio da família e da sociedade, tencionamos explicitar algumas das práticas de nomeação na Europa Ocidental, desde a Antiguidade Clássica, passando pelas mudanças ocorridas nessas práticas, até à constituição e difusão do moderno sistema[1] de atribuição desses nomes no continente europeu, especialmente em Portugal e sua ramificação para outras partes do mundo, com foco no Brasil. O nome é a porta de entrada para a vida social, e estamos atribuindo nomes a nossos filhos todos os dias no mundo todo, sempre levando nessa atribuição a carga semântica daquilo que pensamos sobre esse mesmo mundo em que vivemos. Caso o seu nome seja Maria (ou Moisés), Clarice (ou Vinícius), Elizabeth (ou Charles), Janaína (ou Ubiratan), Zuri (ou Chiamaka), Leonel (ou Diego), Anita (ou Ludimilla), para citar apenas alguns exemplos dos milhares de nomes famosos, em todo o mundo, de ontem e de hoje, provavelmente, ocorreu uma influência sociocultural para essas e muitas outras escolhas do nome próprio na vida de nossos antepassados.

Código: L002-9788579851636
Código de barras: 9788579851636
Peso (kg): 0,298
Altura (cm): 22,00
Largura (cm): 15,00
Espessura (cm): 1,20
Autor Lucas Santos Campos
Editora EDIÇÕES UESB
Idioma PORTUGUÊS
Encadernação Brochura
Páginas 152
Ano de edição 2026
Número de edição 1

Escreva um comentário

Você deve acessar ou cadastrar-se para comentar.

Por que temos o nome que temos?