• Perpétuo Neófito & seus Pífios Epitáfios

Há um jeito Carlos Eduardo Pereira de fazer poemas, e ele se define pela tensão entre duas vertentes: a de um cartesiano lírico com a de um poeta metafísico, amigo das reflexões filosóficas. O que está em jogo é uma espécie de poesia-ensaio, aberta eventualmente para poemas só líricos ou só reflexivos, mais próximos da prosa. Tudo porque um poema pode ser um minério, e um minério – que nunca mente – aceita tanto a exatidão da física quanto os voos da filosofia. Nessa perspectiva, Perpétuo neófito propõe uma quase conversa (“o danado do quase”) para falar de alguns lances biográficos, vividos ou inventados – daí o predomínio de versos na primeira pessoa. O poeta recebe estímulos dessas duas vertentes: o pôr do sol que se reflete nos edifícios de vidro, a escadaria do Forte de Setúbal, os passarinhos ausentes da tarde, a conversa com a filha ao telefone, “a escuridão densa do carvalho”. A ironia irresistível dos “pífios epitáfios”. E, também, Trawinski listando as aplicações dos hidrociclones. O silicato, perfeito como a morte. Falando de si, o poeta fala de nós. Ele chegou a um ponto da vida em que viu demais, viveu demais, e se encontra, agora, diante de um sentimento de inadequação, de incompletude, de desconcerto, frente a frente com as dores e delícias, com os dilemas e desafios que o estar-no-mundo impõe ao “velho menino”, no tempo da elegância e da delicadeza. Fabrício Marques

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Autor Eduardo Pereira
Editora CRIVO 
Idioma PORTUGUÊS
Encadernação Brochura
Páginas 0
Ano de edição 2024
Número de edição 1

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Perpétuo Neófito & seus Pífios Epitáfios