“Assim, a meu ver, a utilização da palavra, por sua abrangência e inespecificidade, se presta a confusões, razão pela qual optei por limitar o fenômeno aquele que engloba o momento da atração (enchantment), o momento da aproximação e continuidade (transgressão) e o seu desenrolar final, com as possibilidades que o existir permite. Nessas possibilidades de evolução, o triangulo amoroso, tal como foi por mim escolhido, e, como diz Carotenuto (2004), um fenômeno arquetípico que provoca mudanças e transformações em ambos os participantes, independentemente do momento de desenvolvimento em que se encontram. Essas transformações e mudanças direcionam-se, em ultima instância, a busca de si mesmo, busca essa que no fenômeno paixão amorosa me parece ser mediada pelo outro enquanto ser único, impossível de ser possuído e com o qual se busca estabelecer uma relação de cuidado e compartilhamento, simétrica e criativa, sem que haja a ilusão de autoengano e da negação, uma vez que “aquele que se engana a si mesmo excluiu-se a si mesmo e excluiu o amor” (Kierkegaard, 2005). Portanto, durante o percurso deste trabalho, vou procurar me ater ao termo paixão em suas diferentes manifestações visando procurar compreender e esclarecer um fenômeno que, por si, já e extremamente complexo. Exatamente por tentar partir desse principio e que o titulo do trabalho também se afasta da ideia trazida por Muchembled (2007), quando este diz que a ligação intima do sexo com a morte foi tratada com extrema complacência durante o inicio do século XX ao ser associada a um erotismo burguês mórbido entrelaçando a luxuria, o prazer e a morte tanto na vida quanto na literatura. A morte aqui em questão e muito mais vinculada a periculosidade que a expressão erótica da paixão traz quando não controlada, uma vez que desde esse período, mantem-se um padrão no qual, sem muitos questionamentos e avalizado por opiniões técnicas, “a mulher se liga a um só homem”, citando Krafft-Ebing (1965), e, quando conveniente, deve sacrificar seus eventuais desejos pelo bem do marido e dos filhos (Muchembled; 2007).” Da Introdução Francisco B. Assumpção Jr. Verão de 2015/2016
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Autor |
Francisco B. Assumpção Júnior |
Editora |
EDITORA ATHENEU |
Idioma |
PORTUGUÊS |
Encadernação |
Brochura |
Páginas |
237 |
Ano de edição |
2016 |
Número de edição |
1 |