• Memórias de velhas sobre a manifestação cultural do marabaixo na Amazônia Amapaense

O Marabaixo é a poesia que corre nas veias dos negros amapaenses, que alimenta o orgulho de um povo detentor da história, da cultura, das vivências ancestrais e das memórias históricas que enriquecem e legitimam o legado cultural afro no estado do Amapá. Este livro aborda trajetórias de vida de guardiãs ancestrais imersas na manifestação cultural do canto negro na Vila de Mazagão Velho, Quilombo do Cria-ú e em bairros tradicionais como o Laguinho e a antiga Favela, hoje Santa Rita, lugares estes que caracterizam o movimento histórico de resistência negra e preservam o patrimônio histórico-cultural, bem imaterial da Amazônia amapaense. Os escritos trazem um estudo que baseou-se na Teoria da Memória Histórica e no método da História Oral para realizar uma pesquisa de abordagem qualitativa com foco nos estudos da memória que teve como base Éclea Bosi, Maurice Halbwachs e Henri Norbert Bobbio. A discussão teórico-conceitual sobre o Marabaixo baseou-se no aporte de Piedade Videira, Ednaldo Tartaglia, Fernando Canto, entre outros que dialogam sobre a temática. A geração dos dados ocorreu por meio da entrevista narrativa com cinco mulheres marabaxeiras, as mais antigas praticantes e guardiãs do tesouro da memória afro-amapaense, aplicada em contexto de pandemia covid-19, tendo como referência Fritz Schütze; Sandra Jovchelovitch e Martin Bauer, além de fotografias, visando o registro do tempo de acontecimentos que envolvem a dimensão sociocultural do ritual afro-amapaense com base nos estudos de Boris Kossy. Este caminho investigativo revela que o Marabaixo representa a maior manifestação cultural do estado do Amapá, é a vida das mulheres negras, a cultura, a identidade, a tradição, um processo intergeracional que mantém viva a história dos festejos do ciclo do Marabaixo, um ato de fé e religiosidade, reafirmados pelas velhas marabaxeiras e expressos nos versos improvisados dos ladrões de Marabaixo. Este ato ritualístico, nas memórias de guardiãs, conta a história dos negros no estado, um processo histórico marcado por injustiças, lutas e movimentos negros em prol da liberdade, da aceitação e da manifestação da voz negra na história amapaense. O Marabaixo, para as guardiãs das memórias, é um movimento ancestral de resistência, é a vida das marabaxeiras, manifesta os valores, o sentimento de orgulho e pertencimento a este constructo histórico-cultural, bem imaterial da Amazônia amapaense. Este livro traz uma compilação poética que surge aliada aos fragmentos de memórias ancestrais para dar vida a cultura negra que existe e resiste, é um convite para que outras Amazônias possam conhecer a dança que fala a partir do corpo, a partir do olhar, a partir da performance cultural negra no estado do Amapá.

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Autor Raquel Francisco; Amorim dos Santos Santos Borges
Editora CRV
Idioma PORTUGUÊS
Encadernação Brochura
Páginas 0
Ano de edição 2026
Número de edição 1

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Memórias de velhas sobre a manifestação cultural do marabaixo na Amazônia Amapaense