Onde começa e onde termina a prisão? A feiúra e dureza de seus muros encerram corpos trancafiados no tempo e no espaço. A imagem mais banal da prisão nos remete justo à separação da vida cotidiana. Ela é o corte, o contraste, o mundo apartado. Mas a prisão também deixa entrar.
Por seus portões, passam comidas, visitas, mensagens, afetos. E ela se estica, puxando para dentro os que vivem fora, mas que tem alguém que lhe é caro lá dentro. A prisão sombreia o caminho da volta para a casa, marca as horas e os ritmos do cotidiano: o tempo de tomar a van, de fazer a comida, de aguentar as esperas, de engolir as humilhações, de lidar com o aperto da saudade.
O belo e denso livro de Natália Lago nos oferece a possibilidade de mergulhar na complexidade da prisão através daquelas que, mesmo não estando confinadas aos muros, têm seu cotidiano profundamente marcado por ela.
Trata-se de uma contribuição singular à compreensão de como os dispositivos prisionais regulam corpos, relações e territórios de modo simultaneamente amplo e capilar no mundo contemporâneo.
Perceber a força dessas regulações a partir do cotidiano e de suas miudezas leva-nos a outras questões, que incluem a importância das relações de gênero na eficácia da prisão como artefato de controle, mas também, em contrapartida, a força das moralidades e dos afetos na constituição de solidariedades políticas.
É na delicadeza de cada encontro com suas interlocutoras e de cada trajeto relatado pela autora que vamos revendo as prisões genéricas que carregamos em nossas análises, permitindo-nos novas perguntas sobre seu sentido – ou sua falta de sentido – no mundo.
| Código: |
L002-9788584046133 |
| Código de barras: |
9788584046133 |
| Peso (kg): |
0,378 |
| Altura (cm): |
2,00 |
| Largura (cm): |
16,00 |
| Espessura (cm): |
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| Autor |
Natália Lago |
| Editora |
EDITORA HUCITEC |
| Idioma |
PORTUGUÊS |
| Encadernação |
Brochura |
| Páginas |
0 |
| Ano de edição |
2026 |
| Número de edição |
1 |