• O controle do trabalho

A ditadura militar brasileira não se sustentou apenas pela censura, pela perseguição política e pela violência de Estado. Entre 1964 e 1974, o regime também desenvolveu um amplo conjunto de políticas públicas voltadas para reorganizar a vida dos trabalhadores, controlar os sindicatos e redefinir o papel da classe trabalhadora no projeto autoritário de modernização econômica do país. É esse processo que a historiadora Heliene Nagasava analisa em profundidade em O controle do trabalho: ditadura e políticas públicas (1964-1974), lançamento da Alameda Casa Editorial.

Resultado de anos de pesquisa e de uma extensa investigação documental, a obra desloca o foco tradicional dos estudos sobre a ditadura para um tema ainda pouco explorado: a política trabalhista do regime. Em vez de tratar a repressão apenas como um fenômeno policial ou militar, Nagasava demonstra como ela esteve articulada a iniciativas de assistência social, educação, previdência e saúde, constituindo um projeto mais amplo de controle e disciplinamento dos trabalhadores.

Ao longo de mais de 360 páginas, a autora examina a atuação do Ministério do Trabalho, os mecanismos de intervenção nos sindicatos, a vigilância exercida pelos órgãos de repressão, as disputas internas do próprio Estado ditatorial e as estratégias adotadas pelos trabalhadores para resistir, negociar e preservar espaços de organização. A pesquisa também lança nova luz sobre a atuação da Organização Internacional do Trabalho (OIT) diante das violações da liberdade sindical praticadas pelo regime brasileiro.

O livro apresenta o conceito de “novo trabalhismo”, formulado pelos ideólogos da ditadura para substituir as tradições políticas associadas ao trabalhismo do período democrático anterior a 1964. Sob o discurso da modernização e do desenvolvimento, o regime buscou construir um novo modelo de sindicato e de trabalhador, subordinando direitos, participação política e organização coletiva aos objetivos econômicos do Estado.

Com base em fontes inéditas, incluindo documentos do Serviço Nacional de Informações (SNI), arquivos ministeriais e registros internacionais, Heliene Nagasava demonstra que compreender a história da ditadura exige recolocar os trabalhadores no centro da análise. O golpe de 1964 foi também um golpe contra as conquistas sociais e contra a crescente participação política da classe trabalhadora, cuja presença pública havia se fortalecido nas décadas anteriores.

Prefaciado pelo historiador Paulo Fontes, o livro dialoga com as mais recentes pesquisas sobre história social do trabalho e contribui para renovar os estudos sobre a ditadura militar, evidenciando as conexões entre repressão, políticas públicas e relações de trabalho. Mais do que uma análise institucional, a obra recupera as experiências, disputas e estratégias dos trabalhadores diante de um regime que buscou controlar suas organizações e limitar sua capacidade de ação coletiva.

Em um momento em que o Brasil continua debatendo os legados da ditadura e os desafios da democracia, O controle do trabalho oferece uma contribuição fundamental para compreender como o autoritarismo se manifesta não apenas pela força, mas também pela reorganização das instituições e dos direitos sociais.

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Autor Heliene Nagasava
Editora ALAMEDA EDITORIAL
Idioma PORTUGUÊS
Encadernação Brochura
Páginas 359
Ano de edição 2026
Número de edição 1

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O controle do trabalho