Esta segunda edição, revista e ampliada, traz uma versão atualizada de Do transe à vertigem – com acréscimo expressivo de conteúdo em relação à publicação original de 2022. Rodrigo Nunes oferece aqui uma ferramenta crítica importante para compreender os fundamentos do bolsonarismo, fenômeno político e social que, como o autor previu, transcendeu o governo que lhe deu o nome. Quatro anos após a primeira edição, o pressuposto central da obra se confirma: a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro não eliminou as condições estruturais e afetivas que alimentam o seu movimento na base da sociedade. Os desdobramentos políticos recentes – como as maquinações do 8 de janeiro de 2023, a consolidação de Javier Milei na Argentina e o segundo mandato de Donald Trump nos Estados Unidos – exigiram do autor uma revisão que considera uma escala temporal mais longa para analisar a extrema direita contemporânea.
Com uma quantidade significativa de novos textos e reformulações, o livro investiga como a extrema direita deixou de ser uma reação intempestiva para se transformar em uma estratégia racional de gestão do colapso do capitalismo tardio e da crise climática, operando uma verdadeira aceleração da desintegração social. Para além dos ensaios originais que discutiam temas como o negacionismo, as fake news e as diferentes reações da esquerda às derrotas de 1964 e 2016, esta nova versão traz contribuições teóricas e empíricas inéditas. Nela, o filósofo realiza uma análise do 8 de janeiro, demonstrando como o episódio expôs a estrutura em pirâmide do bolsonarismo; propõe uma teoria sistêmica sobre como a lógica algorítmica e a economia da atenção transformaram a militância digital em uma “hiperpolítica” fragmentada; e investiga, em um bloco inteiramente novo, a penetração da extrema direita na “manosfera” e nas subculturas masculinas virtuais e presenciais, articulando o ressentimento reativo à precarização do trabalho.
Ao contextualizar o terceiro mandato de Lula diante das severas restrições materiais do cenário atual, Nunes introduz uma defesa metodológica crucial: a de que fenômenos globais são mais bem compreendidos a partir da periferia, onde o Brasil funciona como um laboratório do “capitalismo de capataz”, antecipando um mundo em que o Estado abre mão de suas promessas universalistas para gerir a violência por vias privadas e milicianas. Longe de ser apenas um diagnóstico passivo, o autor se propõe a intervir na realidade, realizando um balanço estratégico para perguntar: o que a esquerda pode fazer de diferente? Afinal, deixar para trás o transe das fantasias de extrema direita é essencial para que possamos encarar a vertigem dos verdadeiros problemas de nosso tempo.
| Código: |
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| Autor |
Rodrigo Nunes |
| Editora |
UBU EDITORA |
| Idioma |
PORTUGUÊS |
| Encadernação |
Brochura |
| Páginas |
0 |
| Ano de edição |
2026 |
| Número de edição |
2 |