Está na hora (não sou o primeiro a dizer isso) de dizer com todas as letras que a antropologia precisa pensar com o pensamento indígena, e não simplesmente sobre o pensamento indígena. Tomar esse pensamento como interlocutor à altura do pensamento antropológico, e não como algo que está em posição de objeto, e você ali em atitude de sobrevoo, em posição de dominância sobre esse pensamento.
[A] noção de “direito de consulta” não é lá muito clara quanto ao que acontece quando a “comunidade”, uma vez consultada, recusa terminantemente o que lhe foi proposto como objeto da consulta. E se os indígenas, ao serem ouvidos, não quiserem nem ouvir falar? O que acontece?
[U]m certo mundo já acabou para essas pessoas, como acabou o mundo dos povos indígenas a partir de 1492. E não obstante,
essas pessoas e esses povos resistem. Não obstante, existe felicidade ali. Não obstante, há miséria, fome, medo. Não obstante.
Talvez “não obstante” seja a melhor definição da palavra “vida”.
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| Autor |
Eduardo Viveiros de Castro |
| Editora |
N-1 EDIÇÕES |
| Idioma |
PORTUGUÊS |
| Encadernação |
Brochura |
| Páginas |
0 |
| Ano de edição |
2026 |
| Número de edição |
1 |