• Armas da Revolução

Bruno Romano analisa, neste livro, como a luta armada ganhou proeminência no discurso revolucionário cubano após 1959. Essa memória oficial legitimou a presença de um grupo específico no poder, instaurando marcos de celebração localizados em momentos históricos definidos no compasso do próprio jogo revolucionário.

Assim, numa releitura feita a posteriori, o início da luta insurrecional ficou consagrado como sendo o momento do assalto ao quartel Moncada, em 26 de Julho de 1953, destacando-se aí o protagonismo do grupo que viria posteriormente a assumir a direção política do país. Vários outros momentos relacionados à luta armada passaram então a ser destacados como efemérides cruciais para justificar a configuração específica, de regime socialista, que havia sido adotada no pós-1961. Esses momentos podiam tanto retroagir no tempo (a exemplo da luta pela independência de Cuba pelas mãos de José Martí, visto, nessa releitura, como pioneiro no caminho da guerra em armas), como se centrar nos episódios contemporâneos aos envolvidos.

A rememoração contínua dos eventos e personagens atrelados à luta armada buscou tanto respaldar uma política como acelerar a consecução dos propósitos revolucionários. O livro aborda, no período que se estende entre 1959 e 1976 – que delimita o início do processo revolucionário e a sua consolidação –, e por meio de fontes oficiais – os próprios discursos de Fidel Castro – as formas encontradas pelo governo cubano de lidar com o tempo, criando um calendário político próprio e construindo uma memória que pudesse favorecer a missão revolucionária, tal como era entendida pela cúpula do regime naqueles anos. Ampara a análise uma sólida
reflexão teórica sobre tempo, memória e história.

Stella Maris Scatena Franco (FFLCH-USP)

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Autor Bruno Romano Rodrigues
Editora ALAMEDA EDITORIAL
Idioma PORTUGUÊS
Encadernação Brochura
Páginas 406
Ano de edição 2026
Número de edição 1

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